Acho engraçado o que acabei de notar: uma pessoa que não conheço, mas que 'sigo', via Twitter, me escreve o seguinte: "enquanto na minha vitrola toca isso, na dele toca isso". Nos links por ela enviados, músicas diferentes do Arcade Fire. Eu, imaginativa, pensei, talvez eles estejam juntos, cada um em seu computador, trabalhando, matando o tempo, jogando (jogando Mah-Jong ou cartas, não imagino ninguém jogando Doom ao som de Arcade Fire, ou matutando em estratégias para dominar
o mundo (oi, Civ...), com tamanha calmaria ao fundo. Sorriem, trocam um beijo, decidem ir deitar deixando a música rolando,
esfregam os pés e dizem boa noite.
Ou talvez eles estejam separados. Sejam ex-namorados, recém-separados. Ela, triste, por saber que os dois estão ouvindo coisas próximas, ainda que distantes. Ou talvez ele a conheça, mas os dois nunca tenham namorado, tenham uma dessas relações tão modernas que começam e acabam no mesmo dia, ou que nunca se iniciam, mas logo
terminam, e ainda assim ela sente uma mistura de melancolia, espanto e alegria, porque estão escutando a mesma banda. Talvez estejam os dois encarando a parede e ouvindo a música de olhos fechados. Talvez ela esteja encarando a vista da cidade, cortesia do décimo primeiro andar. Talvez ele more próximo ao mar, e escute as ondas quebrando na areia numa noite de chuva. Talvez ela se torture, porque os dois estão ouvindo músicas parecidas na rádio do Last-Fm ou do Blip, e ela detesta ver a foto dele surgir no Blip, ou se deteste quando clica no nome dele para saber o que ele está escutando. Ela pode se perguntar em quem ele pensa quando ouve Arcade Fire. Será em mim? Ela pode se odiar por pensar isso. Ele pode se odiar por ouvir uma música que o faz pensar nela. Ele pode maldizer o dia que aceitou um convite dela para sair, depois que se conheceram num encontro de 'twitteiros' de uma mesma cidade. Ou pode se enfurecer porque reparou numa garota que mora a cinco mil quilômetros de distância, porque, em seu perfil, ela tinha uma foto charmosa e nele
escreveu coisas engraçadas. E agora os dois ouvem Arcade Fire, e só essa coincidência os une.
E eu, que não a conheço, muito menos a ele, me perco em especulações.
Creio que achei um novo uso para as tais 'rede sociais'.
o mundo (oi, Civ...), com tamanha calmaria ao fundo. Sorriem, trocam um beijo, decidem ir deitar deixando a música rolando,
esfregam os pés e dizem boa noite.
Ou talvez eles estejam separados. Sejam ex-namorados, recém-separados. Ela, triste, por saber que os dois estão ouvindo coisas próximas, ainda que distantes. Ou talvez ele a conheça, mas os dois nunca tenham namorado, tenham uma dessas relações tão modernas que começam e acabam no mesmo dia, ou que nunca se iniciam, mas logo
terminam, e ainda assim ela sente uma mistura de melancolia, espanto e alegria, porque estão escutando a mesma banda. Talvez estejam os dois encarando a parede e ouvindo a música de olhos fechados. Talvez ela esteja encarando a vista da cidade, cortesia do décimo primeiro andar. Talvez ele more próximo ao mar, e escute as ondas quebrando na areia numa noite de chuva. Talvez ela se torture, porque os dois estão ouvindo músicas parecidas na rádio do Last-Fm ou do Blip, e ela detesta ver a foto dele surgir no Blip, ou se deteste quando clica no nome dele para saber o que ele está escutando. Ela pode se perguntar em quem ele pensa quando ouve Arcade Fire. Será em mim? Ela pode se odiar por pensar isso. Ele pode se odiar por ouvir uma música que o faz pensar nela. Ele pode maldizer o dia que aceitou um convite dela para sair, depois que se conheceram num encontro de 'twitteiros' de uma mesma cidade. Ou pode se enfurecer porque reparou numa garota que mora a cinco mil quilômetros de distância, porque, em seu perfil, ela tinha uma foto charmosa e nele
escreveu coisas engraçadas. E agora os dois ouvem Arcade Fire, e só essa coincidência os une.
E eu, que não a conheço, muito menos a ele, me perco em especulações.
Creio que achei um novo uso para as tais 'rede sociais'.
