6.11.08

[eu guardo minhas polaróides.]

i keep my polaroids, you know? muitas. por saudosismo, por diversão, por respeito ao momento enquadrado ali. por sorrir ao ver a garota assoprando as velas do bolo de aniversário, por carinho aos amigos sentados num bar vagabundo, dar risadas enormes de uma noite de porre, pelo meu próprio rosto olhando para o lado contrário, enquanto a máquina faz o barulhão em minha frente.

i even keep the polaroids i should not keep. aquelas em que não estou sozinha. também pelo respeito ao momento enquadrado ali. os trinta segundos em que gargalhei, e você também, e nós depois reclamamos que estávamos com cara de idiotas. essas, entretanto, ficam escondidas. na última página do último volume de, sei lá, da Enciclopédia Britânica, de um livro que nunca leio, que só acumula poeira e faz volume. eu as mantenho para saber por quanto tempo serei incapaz de abrir aquelas páginas com normalidade, até quando irei sentir um arrepio de espanto, frustração, saudades ou tristeza. o dia em que conseguir fazer graça de meu cabelo, das suas roupas, da decoração da festa onde tiramos a foto, neste dia eu poderei jogá-las fora, ou colocá-las junto das fotos que guardo com prazer.

[na verdade, até hoje, uma única foto fez parte desta segunda categoria (a única salva do turbilhão que queimou roupas, bilhetes e letras de música), e eu pude colocá-la junto às demais há pouco tempo. foi quando não me doeu mais saber o quanto éramos diferentes, quando não me afetou mais ouvir a tua voz, quando eu não planejei por dias o que iria dizer quando te ligasse para desejar 'feliz aniversário', e aceitei que nunca quisemos as mesmas coisas. agora eu penso em ti com um afeto besta, um bem querer sorridente, a sensação verdadeira de que falar 'te desejo o melhor' não é só uma frase perdida, mas, de fato, o meu sentimento.]

[o volume da Enciclopédia Britânica ficará vazio, por um bom tempo. não quero mais que o que senti de bom se amarele numa fotografia. uma ou dez. trinta superficiais segundos em que fomos só a gente, mesmo quando nunca houve a gente. trinta segundos de um beijo nos lábios e do disparar de uma polaróide.
eu quero mais que trinta segundos, babe.]

/para a. you must know, i know i know.