Não, não estou bem, não é óbvio, isso?
Não é visível, nas linhas da minha testa, nas veias do meu braço, que pulsam mais rápido que o normal?
Não é complicado. Não, não estou bem. Contudo, ao fim do dia, sim, eu ficarei bem. Porque não tenho talento para a entrega sem medo ao ócio, porque meu 'bom senso' ainda tem requintes de apuro, porque me envergonha tanta retração, tamanha raiva e tamanho rancor, sabendo que todos aí fora estão vivendo normalmente, não importa o quão desiludidos estejam, não importa o tamanho da dor de cotovelo.
É fácil. Não estou bem. O que não signfica que irei deitar e morrer de dorzinhas da alma, que irei beber até cair, que me desgastarei em locais improváveis ou pessoas desconhecidas. Não estou bem, mas você não precisa saber disso, porque mantenho um sorriso de ironia e levanto as sobrancelhas a cada absurdo que você me fala. E que todos me falam, também.
Por fora, e, em parte, por dentro, sou feita de músculos maciços e vermelhos, exemplo de saúde, de disposição, de pessoa bem resolvida e 'nem-aí-para-nada-ou-para-ninguém'.
Só muito fundo é que me dói. Nos locais onde ninguém chega. E sobre os quais ninguém precisa saber.
É tão simples. Fechei a porta e engoli a chave.
Quando for a hora de sair, pularei a janela.
É tão simples que, mesmo você, que nada sabe de mim, poderia ver. Não, eu não estou bem.
Não é visível, nas linhas da minha testa, nas veias do meu braço, que pulsam mais rápido que o normal?
Não é complicado. Não, não estou bem. Contudo, ao fim do dia, sim, eu ficarei bem. Porque não tenho talento para a entrega sem medo ao ócio, porque meu 'bom senso' ainda tem requintes de apuro, porque me envergonha tanta retração, tamanha raiva e tamanho rancor, sabendo que todos aí fora estão vivendo normalmente, não importa o quão desiludidos estejam, não importa o tamanho da dor de cotovelo.
É fácil. Não estou bem. O que não signfica que irei deitar e morrer de dorzinhas da alma, que irei beber até cair, que me desgastarei em locais improváveis ou pessoas desconhecidas. Não estou bem, mas você não precisa saber disso, porque mantenho um sorriso de ironia e levanto as sobrancelhas a cada absurdo que você me fala. E que todos me falam, também.
Por fora, e, em parte, por dentro, sou feita de músculos maciços e vermelhos, exemplo de saúde, de disposição, de pessoa bem resolvida e 'nem-aí-para-nada-ou-para-ninguém'.
Só muito fundo é que me dói. Nos locais onde ninguém chega. E sobre os quais ninguém precisa saber.
É tão simples. Fechei a porta e engoli a chave.
Quando for a hora de sair, pularei a janela.
É tão simples que, mesmo você, que nada sabe de mim, poderia ver. Não, eu não estou bem.
