26.9.08

/i just cannot resist.

eu me perdi não no teu idioma, mas no meu próprio. na conjugação dos meus verbos, no articular das minhas frases, tão medrosas e truncadas, e no abrir da minha boca, que ensaia, mas não chega ao fim. o teu idioma é fácil, teu ritmo é fácil. o meu tem palavras demais, significados e entrelinhas demais, riffs matadores, um baixo do mal, ou bpms acelerados, ensurdecedores.
[isto é uma confissão. eu me perdi porque quis ser duas: a simples e a complicada. um duelo. pensei que a simples venceria. entretanto, ela é uma caricatura, uma foto velha e desbotada, alguém que passou há muito. me dei conta que, ainda que tenha desejado o contrário, prefiro continuar a me perder e afinal me achar, só que não nos teus gestos suaves, no teu abraço amoroso, paciência sem fim, sorriso largo e fácil. eu sei perfeitamente quando e onde deixei tua segurança de lado e troquei de direção. para ti, é o caminho errado. para mim, é doce e me acolhe. é um ombro amigo, um afago, um 'algo' que ainda foge da minha definição. sem querer que eu mude, que apenas me recebe e deixa ficar ali, sabe? é do que eu preciso. ser aceita, não ser moldada. nada há de errado com teus modos, eu apenas não partilho deles, somos diferentes demais. podes não entender, mas
gente que não gosta de simplicidade talvez não mude nunca. gente que gosta de arriscar talvez passe a vida toda se arrependendo de quando teve a chance de sair do preto-e-branco e ir para o technicolor. como vou saber, se não empurrar todas as minhas fichas no 42 vermelho? eu posso ganhar, posso perder. nossas interpretações para ganhos ou danos são opostas. melhor jogar e perder do que se retrair e se contentar com o mais fácil. essa sou eu. olá, nice to meet you.]
pois bem. meu technicolor pode estar na próxima esquina, como bem pode não chegar nunca. posso tornar o ácido doce, mas, se acontecer, serei eu, sozinha, ou com quem quiser apostar na minha dualidade. por deus, eu não posso ser a única pessoa deste mundo a sorrir e permanecer num local quando ouve uma sirene de alerta. os ratos abandonam um navio prestes a afundar. eu? eu vou até o fim, só para ver o que acontece.


/eu jogo. porém, sempre apostando num happy ending. e medo de ser feliz, definitivamente, não encaixa aqui.