olha, hoje lembrei que ano que vem vai fazer dez anos da clássica festa de uma clássica pessoa numa clássica casa num bairro perto do estádio da ponte. cqp, são paulo, 1999. não foi um evento selvagem, não houve sacanagem desenfreada ou bebedeiras atômicas. é que vai fazer dez anos da noite em que eu e meu melhor amigo passamos uns pares de horas deitados em dois colchonetes na varanda, olhando a chuva sem graça, falando tão pouco, apenas apertando as mãos ou nos fazendo afagos. 'como se faz carinho nos gatos', você disse. 'mas tu tens rinite', respondi.
lembrei disso porque estava pensando no item 6779 do livro dos clichês, o que diz que as pessoas vêm e vão. fato. de umas você lembra mais, de algumas você não guarda o rosto, de outras faz cara de sem graça porque as encontra num bar, e é mais fácil um raio te vir a cabeça do que o nome daquele cara de camisa verde e bermuda branca.
até hoje nunca foi um problema. é aceitável que as pessoas venham e vão. algumas eu faço questão de guardar o rosto, um número de telefone, um frame rasgado, ou, nesses tempos modernos, um endereço de blog.
as pessoas chegam e saem porque elas mudam de cidade, de emprego, casam, têm filhos, se cansam de você, brigam, te gostam por um certo tempo e depois você nada mais tem a oferecer a elas, por tantas razões. e isso é normal, não? tem algumas que você gostaria que ficassem, e uma ou duas ficam. isso também é normal, não?
no fundo, eu nunca cogitei pedir para alguém ficar. nem mesmo de brincadeira disse isso aos meus amigos que foram embora, ou a um namorado, não falei 'não vai, porque vou sentir a tua falta', só para receber um sorriso e um abraço de volta. é engraçado porque, a única pessoa para quem eu quero falar isso, nem mesmo tenho certeza se ela já veio até mim, antes de partir. é um trabalho duplo. primeiro descobrir se você esteve aqui. depois correr atrás e te pedir para não ir.
lembrei disso porque estava pensando no item 6779 do livro dos clichês, o que diz que as pessoas vêm e vão. fato. de umas você lembra mais, de algumas você não guarda o rosto, de outras faz cara de sem graça porque as encontra num bar, e é mais fácil um raio te vir a cabeça do que o nome daquele cara de camisa verde e bermuda branca.
até hoje nunca foi um problema. é aceitável que as pessoas venham e vão. algumas eu faço questão de guardar o rosto, um número de telefone, um frame rasgado, ou, nesses tempos modernos, um endereço de blog.
as pessoas chegam e saem porque elas mudam de cidade, de emprego, casam, têm filhos, se cansam de você, brigam, te gostam por um certo tempo e depois você nada mais tem a oferecer a elas, por tantas razões. e isso é normal, não? tem algumas que você gostaria que ficassem, e uma ou duas ficam. isso também é normal, não?
no fundo, eu nunca cogitei pedir para alguém ficar. nem mesmo de brincadeira disse isso aos meus amigos que foram embora, ou a um namorado, não falei 'não vai, porque vou sentir a tua falta', só para receber um sorriso e um abraço de volta. é engraçado porque, a única pessoa para quem eu quero falar isso, nem mesmo tenho certeza se ela já veio até mim, antes de partir. é um trabalho duplo. primeiro descobrir se você esteve aqui. depois correr atrás e te pedir para não ir.

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