é tudo verdade, eu não minto. eu preciso desse ruído aqui, o mais perto possível. é por necessitar de barulho que viro as páginas do 'buraco na parede' bem devagar, para sentir, menos com o ouvido, mais com o corpo, cada uma delas ressoando fundo. é um prazer esquisito, ouvir com as mãos, sabe? ouvir com o corpo inteiro, vibrar a cada latido dessa cadela gigantesca que passa o dia inteiro a arfar no pátio, ou me alegrar ao ouvir as risadas e as palavras, por mais vãs que sejam, de quem está por perto. de quem já foi tão íntimo, e agora me é tão estranho. dos que estão longe, eu os imagino falando, rindo, resmungando, caminhando, vivendo. imagino a respiração compassada e as batidas do coração.
eu preciso de barulho para suportar meu próprio silêncio.
eu preciso de barulho para suportar quem sou.
eu preciso de pessoas para suportar quem sou.
eu preciso de barulho para suportar meu próprio silêncio.
eu preciso de barulho para suportar quem sou.
eu preciso de pessoas para suportar quem sou.

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